Fortinho ou acima do peso?
February 15th, 2010 | Published in Bebês, Crianças
A cena é clássica e tudo mundo: 1. já passou por isso, 2. já viu outros passarem por isso ou 3. conhece quem passou por isso. A mãe que acha que o filho não come direito, que está fraquinho, que precisa comer mais. E dá-lhe Nescau, fubá, farinha de aveia na mamadeira, açúcar, leite Ninho, danoninho (que, afinal, vale por um bifinho), tudo para a petizada ficar grande e forte.
Mas será que é isso mesmo? A Folha publicou uma matéria sobre pais que não percebem que os filhos estão acima do peso. Vale a leitura e a reflexão.
(Clique no link abaixo para ler a matéria)
Pais não percebem que seus filhos estão acima do peso, diz pesquisa
FLÁVIA MANTOVANI
editora-assistente de Equilíbrio
Um fator inusitado pode dificultar o combate à obesidade infantil: a maioria dos pais de crianças pequenas não percebe quando o filho está acima do peso ou mesmo obeso. É o que sugere um estudo com mais de 800 pais e mães de 439 estudantes de quatro e cinco anos.
Feita na Holanda, a pesquisa foi publicada no periódico “Acta Paediatrica”. Os pais tiveram que responder se achavam que o peso de seu filho era muito alto, um pouco alto, normal, um pouco baixo ou muito baixo.
O resultado: 75% das mães e 77% dos pais de crianças com sobrepeso disseram que o filho tinha peso normal. Quase metade das crianças obesas foram tidas por seus pais como tendo peso normal, e o restante, só como “peso um pouco alto”.
Também foi mostrada uma escala visual na qual os pais tinham que escolher, de sete figuras de diferentes formatos corporais, qual melhor representava o corpo de seu filho.
Todos os pais escolheram figuras de uma a três posições abaixo do correto. Mesmo pais de estudantes com peso normal viam o filho como mais magro do que era –foi o que aconteceu com 97% deles. Só 7% dos pais de crianças acima do peso disseram que se preocupavam com o peso do filho.
O curioso é que os adultos tinham consciência do próprio peso: 83% das mães com sobrepeso e 98% das obesas reconheceram estar com excesso.
“A percepção geral sobre o que é um peso normal para uma criança não corresponde ao que preconizam as curvas de crescimento. Os pais de crianças acima do peso não reconhecem seus filhos como tal”, escreveram os autores.
Segundo eles, o reconhecimento do sobrepeso é um primeiro passo crítico para a participação em programas de prevenção e tratamento da obesidade. “As mensagens de saúde pública não vão atingir os pais se eles não conseguem identificar que seus filhos estão com excesso de peso”, alertaram.
“Gordinho e saudável”
Especialistas disseram que o fenômeno retratado pela pesquisa é comum no dia a dia e que outros estudos já vinham mostrando que isso, de fato, ocorre com frequência.
Segundo Vera Lúcia Perino Barbosa, presidente do Instituto Movere, organização não governamental que combate a obesidade infantil, as crianças atendidas costumam chegar ao local não pelo excesso de peso, mas por outros problemas. “A mãe leva a criança ao posto de saúde porque ela está com crise de bronquite ou outra alergia e o médico percebe que ela precisa emagrecer e nos encaminha. É difícil os pais perceberem, e os pacientes acabam chegando para a gente mais tarde do que deveriam”, diz.
Para ela, um dos motivos que explicam a falha na percepção dos pais é a crença de que criança gordinha é criança saudável. “Na nossa cultura, é bonitinho que a criança seja gordinha, corada. Isso ainda é tido como sinônimo de saúde. Quando ela come pouco, a mãe já fica desesperada”, afirma.
A endocrinologista Cláudia Cozer, diretora da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), acrescenta que muitos pais de crianças obesas também estão acima do peso, o que dificulta essa percepção. “Enxergar a obesidade do filho significa enxergar a obesidade em si próprio. E significa a necessidade de mudar os hábitos de toda a família. Não é fácil.”
Mãe percebeu que filho tinha problema quando ele parou de brincar
FLÁVIA MANTOVANI
editora-assistente de Equilíbrio
Com apenas dez anos, William Basso pesava mais do que muito homem adulto: 86 quilos. Mesmo assim, sua mãe, a auxiliar de escritório Jacerlania Basso, 46, só foi perceber que o menino tinha um problema quando viu que ele não brincava mais.
Os amigos chamavam o William para jogar bola e ele nunca queria. Quando conversamos, ele me disse que se cansava nas brincadeiras”, conta.
Jacerlania achava normal ele ser uma criança gordinha.
“Cresci com aquele pensamento de que criança saudável é criança gorda. Eu deixava que ele comesse um pacote inteiro de bolacha recheada.”
Após ser atendido pelo Instituto Movere, William perdeu peso e hoje, aos 14 anos, é um menino magro e ativo.
Links:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u694438.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u694441.shtml
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Eu *não* sou nutricionista nem médica, apenas muito interessada em aprender como melhorar minha alimentação e a da família :)
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