Cozinha Materna

Salve a feira!

March 25th, 2010 |  Published in Crianças, Dicas de nutrição e alimentação, Para fazer com elas  |  3 Comments

A Revista da Folha desse domingo publicou uma matéria bem legal sobre as feiras livres aqui de São Paulo. Eu sou fã de feira livre, adoro as cores, adoro a possibilidade de experimentar as coisas na hora. A qualidade e a quantidade de opções não tem igual. Melhor que isso, só indo direto ao Ceagesp ou visitando o Mercadão.

Eu acabo comprando em supermercados e sacolões por uma questão de horário. Nem sempre a gente consegue se organizar para ir à feira. Os sacolões são uma opção mais bacana, mas os supermercados, no geral, acho muito triste.

E você? Vai à feira? Como você abastece a sua casa?

E o que tem na feira?
pimentas
tem pimentas, tem flores… 

banca de flores

mais pimentas
pimentin 

condimentos…

melzin
alhos e cebolas 

alhos e cebolas

grãos
(fotos da feira da vila madalena)

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf2103201005.htm

CALOR HUMANO, PRODUTOS FRESCOS E NOVOS SERVIÇOS EXPLICAM A SOBREVIVÊNCIA DAS FEIRAS PAULISTANAS EM TEMPOS DE HIPERMERCADOS

Que atire um tomate quem nunca ouviu o clássico grito de feira: “Mulher bonita não paga nada, mas também não leva”. Feirantes são mestres em criar bordões para atrair a clientela. Adoram chamar a “madame” (tanto faz se for a copeira ou a “própria”) de rainha, princesa, boneca e moça, independentemente da idade da compradora.

Como diz a atriz Sandra Corveloni, 44, desde menina acostumada a correr com a sacolinha nos braços pelas feiras: “Está deprimida? Vai à feira que passa”.

Talvez esteja aí um dos segredos de as barracas continuarem ainda de pé nas ruas dos mais diversos pontos da capital, numa época em que os supermercados abocanham, a cada dia, uma baita fatia desse mercado. E, há dois meses, o feirante aprende a lidar com mais um “concorrente”: diante dos dilúvios que assolaram a cidade por mais de 40 dias consecutivos, um decreto municipal reduziu em uma hora o funcionamento das feiras.

O argumento da gestão Gilberto Kassab (DEM) é que as chuvas costumam ocorrer à tarde e carregam restos de alimentos, provocando alagamentos. Resultado: tem feirante, como Alfredo Roberto de Oliveira, 44, da barraca Pastel da Hiromi, que acumula perdas de 40% no movimento. A temporada de baixa o leva a fazer uma previsão pessimista -o fim das feiras em, no máximo, cinco anos.

É certo que o movimento de fregueses vem caindo a cada ano. Mas, a julgar pela tradição das feiras e pelo convívio social que elas proporcionam a muitos paulistanos, o fim desse comércio ao ar livre (ainda) está longe.

Os consumidores estão se adaptando ao novo horário e às novas comodidades oferecidas pelos feirantes, como o chef francês Erick Jacquin. Ele gosta de passear e comprar em feiras do Pacaembu e de Higienópolis (zona oeste) e de Moema (zona sul). “Aqui tem vida e alegria”, defende, enquanto seleciona frutas para serem entregues no restaurante que leva o seu nome.

E tem também mimos. Para Jacquin, além do “espetáculo” promovido pelos feirantes, o contato direto com o alimento é “mágico, sedutor”. “Você toca na fruta, sente o cheiro dela, prova um pedaço. Isso não acontece nos supermercados”, compara. “E, se não quer carregar, pode pedir que eles entregam para você.”

Entre barracas, consumidor habitué é chamado pelo nome -e pelo sobrenome. A reportagem acompanhou a chegada de uma herdeira do grupo Safra ao Pacaembu. Estava acompanhada por três seguranças e um motorista.

Dois deles fazem uma “varredura” no lugar com a patroa ainda no carro. Área limpa, lá sai ela escolhendo as frutas. Por onde passa, é reconhecida. O feirante explica à cliente bilionária o que está “bom” e o que “não vale a pena levar”. Vai colocando tudo nas sacolinhas. A senhora de tailleur, salto e óculos escuros paga em “cash”, e o moto- rista leva tudo para o carro.

Honestidade e transparência, dizem as clientes, são a alma do negócio. “Se o produto não estiver bom, o feirante fala para você não levar. Aqui, a palavra vale muito”, conta outra entusiasta do comércio ao ar livre, a pedagoga Edite Traiman, 55. Ela levou a nova-iorquina Brooke Lewy, 27, para conhecer uma das mais “hypadas” feiras paulistanas, a do Pacaembu.

Apesar de entender pouco do português, Brooke estava encantada com o que via. “Adorei a diversidade de produtos, o colorido. E, é claro, a alegria dos vendedores. Não tem isso nos EUA.”

De pai para filho
Do lado de lá da barraca, o feirante vive a mesma experiência -de intimidade com produtos e clientes. Ainda mais se o comerciante cresceu dentro de uma feira, como no caso de Armando Papucci, 52, que vem de uma verdadeira dinastia -os avós maternos, os pais e os três irmãos sobrevivem há três gerações da venda ao ar livre.

A cada nova geração, a família foi aumentando o tamanho das bancas. Aos domingos, Armando monta 28 m na feira da rua Santo Amaro, no centro. Ao seu lado, está sua mulher, Adelaide, 52, que ele conheceu quase 30 anos atrás na feira de domingo que havia na rua Martim Francisco (região central).

“Era uma barraca de frente para a outra. A da minha família de frutas; a da dela de legumes”, conta. Virou uma banca só: de frutas, de onde eles tiraram o sustento para criar as quatro filhas: uma é advogada, a outra, engenheira, uma estuda administração e a caçula está no colégio. No fim de semana, elas ajudam os pais. Para manter a tradição, o sobrinho de Armando namora a sobrinha de Adelaide -ambos com os pés na feira. A julgar pelos Papucci, o futuro da feira está garantido.

Pano no chão
Esse tipo de comércio é um fenômeno econômico-social antigo, conhecido de gregos e romanos. Funciona desde meados do século 17 em São Paulo. Mas só em 1914 foi reconhecido pelo prefeito Washington Luís. A primeira feira oficial contou com 26 barracas e ocorreu no largo General Osório (região central). A segunda, não muito longe dali, reuniu 116 delas no largo do Arouche. Ambas não existem mais.

A avó materna de Armando, Maria da Conceição, é dessa época. “Os produtos eram espalhados no chão, em cima de um pano. Minha mãe era pequena e ia amarrada na saia, para não se perder”, conta ele. Quando as feiras no formato que se conhece hoje ainda não existiam, Maria da Conceição vendia verduras e frutas de porta em porta. Ela ia até o mercado da Cantareira, comprava de tudo um pouco e levava pelas ruas dentro de um cesto de 1,5 m em cima da cabeça.

Era uma época em que boa parcela dos feirantes plantava, colhia e vendia os produtos. Hoje, apesar de em muitas feiras você ouvir a frase: ”Meu pai plantou, minha mãe colheu e eu tô vendendo”, o comércio direto do cultivo faz parte da história -feirantes compram quase tudo no Ceagesp e em cidades vizinhas.

A participação das feiras nas compras de legumes e frutas dos paulistanos predominou até pelo menos meados da década de 1980, quando os supermercados possuíam uma infraestrutura ainda tímida -não havia hortifrutigranjeiros. A rede Pão de Açúcar, por exemplo, deu os primeiros passos com o conceito de hipermercado -onde o cliente encontra tudo no mesmo lugar- a partir da década de 1970. Hoje, com a magnitude deles, o que inclui facilidade de pagamento e horário esticado para as compras, o consumo nas ruas caiu.

Mitsul Kotsubo, 79, presidente da Associação dos Feirantes de São Paulo, reconhece que a migração da clientela para os supermercados foi o maior impacto nas vendas das feiras. Em relação à redução de horário imposta por Kassab, o aposentado tem um palpite: “Uma hora a menos é insignificante. Logo os clientes se adaptam e chegam mais cedo.”

Cálculos da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, no entanto, revelam que 64% das frutas, legumes e verduras e 80% do pescado consumidos atualmente pelas famílias paulistanas ainda têm como origem a feira livre. Um percentual alto.

Para José Roberto Graziano, supervisor-geral de Abastecimento da prefeitura, esse número não deve sofrer forte queda. “Os supermercados já abocanharam a fatia desse mercado que tinham para abocanhar”, diz. “Desde 2004, 2005, acho que a relação está estabilizada.”

E os motivos dos adeptos das feiras são fortes. “Só vou comprar no supermercado se estiver chovendo”, diz a empresária Mariana Rago, 29. “Os produtos são mais frescos. Sem falar nas flores, como são belas!”

Tem até manobrista
Para sobreviver diante de uma concorrência de peso, os feirantes têm de se atualizar. Hoje, é possível comprar um pastel (35 sabores, R$ 2,50, o simples, R$ 5, o especial) e pagar com cartão na barraca da Maria, que segue o rodízio de feiras da prefeitura.

Também foi indispensável adotar o “delivery”. Há mais de duas décadas na feira, Marcelo Baldin, 38, conta que o serviço representa hoje 40% das vendas de sua barraca, especializada em carnes. A demanda pela cortesia dobrou nos últimos três anos. “Quem não oferecer comodidades perde o cliente.”

Na banca de frutas da portuguesa Isabel Baptista Vieira Dias, 59, clientes mais antigos deixam a lista de compras com ela, enquanto dão uma volta. Quando retornam, está tudo embalado. “Se minha cliente pede banana, mando buscar na barraca ao lado. Ela não tem trabalho”, diz Isabel, que está todas as terças e quintas no Pacaembu. “A relação é de confiança. A cliente sabe que não vou colocar algo ruim na sacola. Se não, ela não volta mais.”

Um bom exemplo de credibilidade ocorre na Água Fria (zona norte). As clientes param o carro no meio da rua e deixam a chave com Roberto Antônio de Abreu, 31, desde os 13 na feira livre. Roberto não para um minuto. Às 5h, chega no local. Ajuda a estacionar caminhões dos feirantes e antes do sol raiar lá está ele para cima e para baixo, cuidando dos carros das freguesas. Manobra ao menos 50 veículos por dia. Diz que não cobra nada. “Cada uma dá o que quiser, R$ 1, R$ 2. Já ganhei ovo de Páscoa e até TV”, gaba-se.

De repente, ele interrompe a conversa com a Revista para “socorrer” uma cliente. A farmacêutica Maria Isabel Di Gregório, 57, para o seu carrão e sai do veículo. O manobrista assume o volante. “Há quase 20 anos é ele quem estaciona e fica com a chave”, afirma. “Um dia, estava passando mal e Roberto se ofereceu para me levar em casa. Perguntei: ‘E como você vai voltar’. E ele: ‘A pé’. Você acredita [risos]?” Maria Isabel se despede e vai fazer as compras. Cinco minutos depois, surge no meio da feira e grita: “Roberto, esqueci minha carteira. Você pega, por favor?” E lá vai ele correr de novo.

Coisa de feira. Haja confiança.


About the author

Eu *não* sou nutricionista nem médica, apenas muito interessada em aprender como melhorar minha alimentação e a da família :)


Email | All posts by

3 comments ↓

#1 Chris Ferreira on 04.05.10 at 10:07 pm

Adoro ir na feira. Perto da minha casa a feira acontece aos sábados. Eu e minha filha mais nova tomamos o café-da-manhã na feira. Experimentamos várias frutas, comemos tapioca, delícia. Conhecemos os feirantes e temos nossas barracas preferidas.
Como o que eu gosto mesmo são as frutas, isso é basicamente o que vou buscar na feira. Os legumes e verduras são comprados no horti-fruti que tem perto de casa, mas aí é função do maridão.
Beijos
Chris

#2 Mariana Rago on 04.15.10 at 11:57 am

Olá,
muito legal vc dar espaço para falar das feiras. Como vc percebeu, amo feiras. Tudo é super fresco e bonito. Compramos muito em feiras para testar nossas receitas. Vc está super convidada para visitar nosso site. http://www.abacas.com.br
Obrigada e parabéns pelo seu trabalho.
Mariana

#3 luterceiro on 04.16.10 at 4:02 pm

Oi Mari, valeu pelo comentário! Adorei o Abacás, tá linkado :) beijos!

Leave a Comment


  • Compartilhe aqui as receitas para bebês.
  • Compartilhe aqui as receitas para crianças.



    About Cozinha Materna

    Porque comer é muito bom! . Subscribe via RSS »